Arquitetura para o combate ao câncer

Como a arquitetura pode auxiliar no processo de combate ao câncer através de pequenas iniciativas

No Brasil, em Outubro e Novembro acontecem grandes campanhas de conscientização de prevenção de doenças. O Outubro Rosa estimula as mulheres a se prevenirem do câncer de mama e o Novembro Azul busca estimular os homens a cuidar mais da saúde e realizar exames preventivos, em especial o do câncer de próstata. O diagnóstico precoce é essencial para a cura desse tipo de doença, que possui um grande leque de abordagens e tratamentos. A arquitetura pode auxiliar no processo tornando os ambientes de combate ao câncer mais leves e aconchegantes, o que pode impactar diretamente nas respostas ao tratamento. Para tanto é necessário entender a doença e suas implicações, estabelecer como ela será abordada e tomar medidas para melhorar o ambiente físico.

Quais aspectos são importantes de se considerar no tratamento do câncer?

Quando se trata de câncer muitas vezes entende-se como uma única doença com um único tipo de tratamento. É importante deixar claro que mesmo o mesmo tipo de câncer pode ter graus e tratamentos diferentes, como por exemplo a remoção cirúrgica, quimioterapia, radioterapia, transplantes e muitas vezes combinações deles. Mas o que há em comum é que todos os seres humanos têm a necessidade de serem tratados com respeito, dignidade e segurança. Essa tríade se acentua ainda mais em situações de vulnerabilidade, como problemas graves de saúde, que costumam sensibilizar toda a família e o contexto em que elas vivem. Por essa razão é muito importante tratar não apenas a doença, mas a pessoa em si, através de uma abordagem holística do tratamento e também do suporte físico e emocional.

Como podem ser os espaços de combate ao câncer?

Por vezes o tratamento é longo, passam por diferentes fases e alteram o estilo de vida e a autoestima dos pacientes.  Como as pessoas tendem a frequentar os mesmos locais de tratamento por muitos meses e, muitas vezes, anos, é primordial que a arquitetura dos espaços seja pensada de tal forma que as pessoas se sintam acolhidas para que se tornem confiantes e motivados a lutar pela cura.

Visando a abordagem holística do tratamento, recomenda-se que se agreguem nesses espaços ambientes com outros tipos de assistência além da médica, como a psicológica, a nutricional e também espaços para atividades como arte terapia, acupuntura, meditação, entre outras modalidades. Sempre, em conformidade com as normas e leis relacionadas a Vigilância Sanitária. A arquitetura deve propor e organizar os espaços de forma clara e intuitiva, onde os usuários se sintam convidados a ser parte daquela nova dinâmica que agora busca integrar mente, corpo e espírito.

O que torna um espaço de tratamento ao câncer aconchegante?

Em 1990, Roger Ulrich, professor de arquitetura, criou a Teoria do Design de Suporte. A teoria estabelece aspectos importantes a serem priorizados que influenciam diretamente nos resultados relacionados a cura e bem-estar especialmente dos pacientes, mas também de todos que frequentam a edificação. A teoria engloba três dimensões: senso de controle, suporte social e distrações positivas.

A Teoria do Design de Suporte engloba três dimensões: o senso de controle, o suporte social e as distrações positivas.

O senso de controle está relacionado com o grau de autonomia que o usuário pode ter como, por exemplo, escolher o nível de privacidade durante o tratamento. O suporte social se dá pela possibilidade de estar com pessoas: seja se relacionando com pacientes que passam pelo mesmo tratamento ou acolher familiares do paciente. Ambas as dimensões, senso de controle e suporte social, são melhores desempenhadas quando tem o suporte de uma boa e coerente arquitetura.

Para tal é necessário configurar os espaços de combate ao câncer através de salas com dimensões e layout coerentes, tratamento acústico adequado e até mesmo propondo elementos simples como cortinas e divisórias móveis, permitindo que em um mesmo espaço tenha flexibilidade para propor ambientes mais privativos ou coletivos.

Por fim, as distrações positivas são elementos que atraem uma atenção que não exige esforço, como por exemplo acesso a televisão e filmes. A natureza é um elemento que se encaixa nessa dimensão, seja através do acesso visual através de janelas ou a presença de um jardim que os usuários tenham acesso.

Embora o contexto do paciente com câncer seja sensível e exija cuidado e atenção, existem medidas ambientais concretas que podem auxiliar na sensação de bem-estar de todos: seja o próprio paciente, os familiares, amigos e também funcionários da instituição. Nós da Redora procuramos sempre aplicar esses princípios em nossos projetos pois acreditamos que a arquitetura pode sim gerar novas percepções e impactar positivamente a vida das pessoas.

REFERÊNCIAS:

REDMAN, M., BAJAJ, R., HANDLER, D., KELLY, C. (2008). Environments for cancer care: a point of view. Nurture by Steelcase Healthcare Research Team.